Radar Global

Londres recebe o Fold Wide; o que o Brasil pode esperar

O Unpacked de julho promete ser um dos mais carregados dos últimos anos: além do Fold Wide, entram em cena o Flip renovado, um possível Fold Ultra, novos Galaxy Watch e, se os rumores se sustentarem, a primeira geração de óculos inteligentes com IA da Samsung — concorrência direta para o que a Meta faz com a linha Ray-Ban. É muita coisa para uma única noite de evento. Mas o que interessa ao varejo brasileiro não é o que aparece no palco londrino: é o que aparece na prateleira de São Paulo, e quando.

BY

Por Bruna Yamashiro · Raio X Global

Londres recebe o Fold Wide; o que o Brasil pode esperar

O Fold Wide — esse “passaporte de tela”, como os rumores o apelidaram — chega com proporção mais larga do que o Fold tradicional, um formato que hoje só existe, de maneira relevante, no Google Pixel 9 Pro Fold nos EUA e no Huawei Pura X Max na China. A Samsung, se confirmar o lançamento, se posiciona como a primeira a trazer algo assim ao mercado brasileiro. Isso é fato. O que vem depois disso é onde mora o pulo do gato.

O Unpacked de julho promete ser um dos mais carregados dos últimos anos: além do Fold Wide, entram em cena o Flip renovado, um possível Fold Ultra, novos Galaxy Watch e, se os rumores se sustentarem, a primeira geração de óculos inteligentes com IA da Samsung — concorrência direta para o que a Meta faz com a linha Ray-Ban. É muita coisa para uma única noite de evento. Mas o que interessa ao varejo brasileiro não é o que aparece no palco londrino: é o que aparece na prateleira de São Paulo, e quando.

Aqui começa a leitura que me importa. O varejo nacional já aprendeu a coreografar o ciclo Samsung de dobráveis. Todo ano, o lançamento global acontece no segundo semestre, os entusiastas importam ou compram em pré-venda, e as redes físicas demoram algumas semanas a mais para ter estoque disponível e treinamento de vendedores — porque dobrável ainda exige demo, ainda exige que o vendedor abra o aparelho na frente do cliente e explique a articulação. Não é venda de gôndola. É venda de balcão. Esse ciclo deve se repetir em 2026.

O Fold Wide complica um pouco mais esse cenário. Por ser um formato genuinamente novo — e a pauta deixa claro que o equivalente mais próximo não existe no Brasil hoje —, o varejo vai precisar de tempo para calibrar a régua de preço. Minha aposta: o pedágio entre o preço internacional e o preço de lançamento por aqui deve ser sentido com força neste ciclo, especialmente num produto sem histórico de demanda local para ancorar a precificação.

O que o varejo faz bem nesses momentos é apostar no financiamento. Dobrável caro em parcelamento longo é a fórmula que já funcionou para o Fold e para o Flip nas últimas gerações. Deve funcionar de novo. A questão é saber se o Fold Wide — um formato ainda sem público consolidado nem aqui nem lá fora — encontra adotantes suficientes para além do nicho de early adopters.

Fica de olho: quando o Fold Wide aparecer no crediário das grandes redes com parcelamento em 18 vezes, você saberá que o varejo decidiu apostar de verdade no formato — e não só exibir o aparelho como troféu de vitrine.

BY

Bruna Yamashiro · Raio X Global

“Todo produto conta duas histórias: a de origem e a que sobra depois da alfândega.”

Leia Também