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Indução avança na cozinha e pressiona o varejo de eletrodomésticos

Crescimento da indução exige que o varejo reveja mix, treinamento e venda consultiva — e abre oportunidade para ampliar ticket com panelas compatíveis.

Por Equipe Raio X do Mercado e Varejo

Indução avança na cozinha e pressiona o varejo de eletrodomésticos

O movimento

O cooktop por indução consolida sua presença como alternativa real ao fogão a gás no mercado brasileiro. A tecnologia, que aquece a panela diretamente por campo magnético sem uso de chama aberta, vem sendo trabalhada por Electrolux e Brastemp com portfólios distintos — modelos portáteis e de embutir — e recursos como painel touch, timer, trava de segurança e múltiplos níveis de potência. A Electrolux, por exemplo, cita 10 níveis de potência no modelo portátil IE3TP, com mesa vitrocerâmica e desligamento automático. A Brastemp, por sua vez, destaca funções como detector de panela e controle touch em seus modelos. O Inmetro já lista mesa por indução e fogão elétrico de indução portátil entre aparelhos domésticos sujeitos à certificação obrigatória — sinal de que a categoria ganhou maturidade regulatória no país.

Por que importa

A transição do fogão a gás para o cooktop por indução não é apenas uma escolha tecnológica do consumidor: é um movimento que reconfigura a jornada de compra e o papel do varejista. A categoria exige venda consultiva. O cliente precisa saber sobre compatibilidade de panelas, voltagem do modelo, necessidade de disjuntor próprio e adequação da bancada antes de fechar a compra. Quem não recebe essa orientação no ponto de venda tende a devolver o produto ou a ter uma experiência negativa — dois cenários que corroem margem e reputação.

Além disso, a indução abre uma janela de cross-sell relevante: panelas de ferro fundido, inox com fundo triplo magnético ou modelos certificados para indução precisam ser adquiridas junto ou em substituição ao utensílio atual. O varejista que posiciona essa complementaridade no piso de loja ou no ambiente digital captura ticket médio mais alto com uma única jornada de compra. A Brastemp orienta o uso de panelas de ferro fundido, inox com fundo magnético ou modelos com selo de compatibilidade — e panelas de vidro, cerâmica ou alumínio puro simplesmente não funcionam. Esse detalhe técnico, se bem comunicado pelo varejo, vira argumento de venda; se ignorado, vira motivo de reclamação.

O perfil de consumidor também é relevante: quem busca indução tende a valorizar controle, praticidade e segurança — atributos que justificam preço mais alto e menor sensibilidade a promoção. Isso favorece a rentabilidade da categoria frente à linha branca tradicional.

O que observar

Nos próximos meses, vale acompanhar como Electrolux e Brastemp ampliam seus portfólios de indução e se outras marcas aceleram entrada na categoria. A exigência de certificação do Inmetro tende a filtrar produtos sem procedência e valorizar players com estrutura de assistência técnica — fator que o varejo deve comunicar ativamente. No canal físico, o desafio é capacitar equipes de vendas para uma abordagem consultiva que inclua instalação elétrica, compatibilidade de utensílios e segurança. No canal digital, a oportunidade está em kits curados — cooktop mais panelas compatíveis — que reduzem a fricção da jornada e aumentam o valor do carrinho. A voltagem de 220 V em modelos de embutir também é um ponto de atenção: regiões com predominância de redes em 127 V podem demandar adaptações ou limitar o alcance de determinados modelos.

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