O movimento
A Samsung apresentou uma linha renovada de eletrodomésticos conectados para a cozinha, composta por novos Slide-in Ranges — disponíveis nas versões a gás e elétrica — e um micro-ondas Over-the-Range. Os equipamentos integram-se ao ecossistema SmartThings da empresa, permitindo sincronização automática entre os aparelhos, controle remoto pelo aplicativo, comandos de voz por assistentes compatíveis e acesso a sugestões de receitas e planejamento de refeições pela função SmartThings Food.
O destaque técnico da linha é o Air Fry Max, modo que, segundo a Samsung, elimina a necessidade de pré-aquecimento e reduz o tempo de preparo em até 15% em relação aos modelos anteriores. A versão elétrica traz um cooktop Express Boil de 3,6 kW com elementos de anel duplo para diferentes tamanhos de utensílios, enquanto o modelo a gás conta com um queimador Dual Power de 23K BTU. O micro-ondas, quando pareado com o fogão, ativa automaticamente a iluminação e a ventilação do cooktop sempre que o fogão está em uso.
A linha já está disponível na América do Norte e deve chegar a mercados selecionados da América Latina ainda neste ano.
Por que importa
O movimento da Samsung revela uma disputa que vai além da funcionalidade dos aparelhos: é uma batalha por ecossistema. Ao integrar fogão e micro-ondas ao SmartThings com sincronização automática, a empresa amplia a lógica de fidelização por plataforma — quanto mais produtos conectados o consumidor adquire, maior o custo de saída do ecossistema.
Para o varejo, isso tem implicações diretas na estratégia de exposição e venda consultiva. Eletrodomésticos conectados exigem que o vendedor compreenda não apenas o produto isolado, mas o ecossistema ao qual ele pertence. A proposta de valor deixa de ser o aparelho e passa a ser a experiência integrada — o que tende a sustentar margens mais elevadas e reduzir a competição puramente por preço.
Há, porém, uma tensão relevante: a linha não suporta o padrão Matter, protocolo aberto de interoperabilidade para casa inteligente que já abrange categorias como fornos, micro-ondas e refrigeradores. O próprio SmartThings gerencia dispositivos Matter de outras marcas, mas os grandes eletrodomésticos da Samsung ainda não adotam o padrão nativamente. Isso significa que o consumidor que investe nessa linha fica vinculado ao ecossistema proprietário da empresa — o que pode ser percebido como conveniência ou como limitação, dependendo do perfil de compra.
O que observar
A chegada da linha a mercados latino-americanos ainda em 2026 é o dado mais estratégico para o varejo brasileiro. Quando e em quais países a Samsung confirmará a distribuição são informações que definirão o ritmo de preparação das redes varejistas — tanto em treinamento de equipe quanto em estratégia de exposição para produtos de maior valor agregado.
Vale acompanhar também se a Samsung passará a adotar o padrão Matter em seus grandes eletrodomésticos nas próximas gerações. A ausência do protocolo nesta linha pode se tornar um argumento competitivo para concorrentes que já oferecem interoperabilidade nativa. Por fim, o desempenho do Air Fry Max como driver de conversão no ponto de venda merece atenção: funcionalidades de airfryer embutidas têm demonstrado forte apelo junto ao consumidor brasileiro nas últimas temporadas.